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A rica história do cinema brasileiro começou em 19 de junho de 1898 com o cinegrafista italiano Alfonso Segreto que, ao voltar da Europa a bordo do navio Brésil, filma a entrada na baía de Guanabara. Depois, ele passa a realizar documentários juntamente com seu irmão, Paschoal Segreto, e ambos se tornam, praticamente, os únicos produtores de cinema até 1903. Em uma década a produção de filmes aumentou estrondosamente, com 205 filmes em 1909 e 209 em 1910. Os gêneros incluíam policiais, comédias, filmes de carnaval e adaptações de clássicos literários. Após 1911, entretanto, as produções diminuíram muito em face da massiva penetração e dominação americana do mercado cinematográfico.
Nos anos 20 e começo dos 30, consideráveis atividades cinematográficas se concentraram nos chamados ciclos regionais, destacando-se o de Cataguases (Minas Gerais), de onde emerge o cineasta Humberto Mauro, cuja obra-prima é o filme de estilo sofisticado e eclético "Ganga Bruta" (1933). Outras obras-primas do período do cinema mudo brasileiro foram o experimental Avant-garde "Limite" (1931), de Mário Peixoto, e "Barro Humano" (1929), de Adhemar Gonzaga. Em 1929, o diretor Luiz de Barros realiza o primeiro filme sonoro brasileiro, "Acabaram-se os Otários".
Os anos 30 trouxeram o som e a acepção de um enormemente popular e duradouro gênero brasileiro, a chanchada. Essas comédias leves, nas quais eram geralmente inspiradas pelo carnaval, tinham muita dança e números musicais. Adhemar Gonzaga funda, em 2 de dezembro de 1929 na cidade de São Cristovão (Rio de Janeiro), a Cinédia, a mais antiga produtora cinematográfica brasileira ainda em atividade e o primeiro estúdio realmente digno deste nome, segundo os padrões ditados por Hollywood. A Cinédia foi responsável pela criação do gênero chanchada. A cantora-sensação da época, Carmem Miranda, estrelou uma das primeiras chanchadas, "Alô, Alô, Carnaval" (1936), dirigida por Adhemar Gonzaga.
Em 13 de outubro de 1941, no Rio de Janeiro, a Atlântida Cinematográfica é fundada por Moacyr Fenelon e José Carlos Burle, que tinham o objetivo de promover o desenvolvimento industrial do cinema brasileiro. Burle e Fenelon queriam fazer a união do cinema artístico com o cinema popular. O filme "Moleque Tião" (1943), de José Carlos Burle, foi o primeiro grande sucesso da Atlântida. A Companhia se tornou a produtora líder das chanchadas, que eram filmes lucrativos e de baixos orçamentos, graças à sua integração vertical de produção, distribuição e exibição.
Em 3 de novembro de 1949, os industriais de São Paulo Franco Zampari e Francisco Matarazzo Sobrinho criam, em São Bernardo do Campo (SP), a Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Ela foi feita para dar ao Brasil uma qualidade de cinema que pudesse competir com o mercado internacional, sendo a mais importante tentativa de se estabelecer uma indústria cinematográfica brasileira. Seguindo o sistema de estúdio de Hollywood, a Vera Cruz usou equipamentos caros e de última geração, enormes estúdios de som e empregou atores e técnicos com contratos permanentes ou exclusivos. O cineasta Alberto Cavalcanti foi convidado por Zampari para dirigir a Companhia. As produções da Vera Cruz mostraram melhorias de fotografia e som, mas por causa de seus modos de operação caros, a Companhia faliu em dezembro de 1954. Uma de suas produções mais importantes foi "O Cangaceiro" (1953), de Lima Barreto, que teve um grande sucesso de público e ganhou o prêmio internacional de filme de aventura no Festival de Cannes de 1953. No lugar da Companhia foi criada a Brasil Filmes, que passou a utilizar os estúdios e equipamentos da Vera Cruz. Com o fim da Brasil Filmes, Walter Hugo Khouri e seu irmão William tornam-se os proprietários dos estúdios e equipamentos da Vera Cruz, numa transação confusa.
Em 1952, acontece o I Congresso Paulista do Cinema Brasileiro e o I Congresso Nacional do Cinema Brasileiro (Rio de Janeiro). Estes congressos procuraram estabelecer novos conceitos para a realização de filmes no Brasil, onde, neles, pôde-se perceber a existência, ainda embrionária, de toda uma temática que seria retomada, depois, pelo Cinema Novo.
O Cinema Novo foi um movimento cinematográfico que nasceu da preocupação de jovens cineastas com a posição subdesenvolvida e neocolonial do Brasil e a falta de uma cultura de cinema nativa. Então, unidos por seu nacionalismo cultural, estes cineastas propuseram, no início dos anos 60, criar um autêntico cinema brasileiro que iria "descolonizar" a linguagem dos filmes e explorar os problemas sócio-econômicos, a história e a cultura do Brasil. Os cineastas cinema-novistas rejeitaram o modelo de produção caro e de alta tecnologia dos estúdios e, influenciados pelos estilos francês da Nouvelle Vague e italiano do Neo-realismo, foram ao interior do país e às ruas para filmar temas brasileiros em locações naturais. Os primeiros filmes do Cinema Novo foram produzidos independentemente, com baixos orçamentos e eram feitos de um modo mais artesanal do que industrial. Desprezando o estilo das produções de Hollywood, os cineastas cinema-novistas usaram o seu "subdesenvolvimento" como emblema.
Durante a primeira fase do Cinema Novo, de 1960 a 1964, os filmes mostravam os problemas dos setores mais pobres da sociedade: exploração econômica, fome, opressão, violência e alienação religiosa. Três das produções que melhor expressam esta fase são "Vidas Secas" (1963), de Nelson Pereira dos Santos, "Os Fuzis" (1963), de Ruy Guerra, e "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964), de Glauber Rocha. Na segunda fase do movimento, de 1964 a 1968, os cineastas analisaram as falhas das políticas desenvolvimentistas, do populismo democrático, da esquerda intelectual e, sobretudo, da ditadura militar. Filmes mais característicos deste período: "O Desafio" (1965), de Paulo Cezar Saraceni, "Terra em Transe" (1967), de Glauber Rocha, e "O Bravo Guerreiro" (1968), de Gustavo Dahl. Durante a última fase do Cinema Novo, de 1968 a 1972, os cineastas procuravam driblar a censura e a repressão política usando para isto elaborados temas alegóricos, literários e históricos. São exemplos desta fase: "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro" (1969), de Glauber Rocha, "Os Herdeiros" (1969), de Carlos Diegues, "Macunaíma" (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, e "Os Deuses e os Mortos" (1970), de Ruy Guerra. A repressão política terminou com o Cinema Novo e alguns de seus cineastas tiveram de se exilar. A maioria dos filmes foram fracassos comerciais, mas o movimento deixou um rico legado: a tradição de filmes de qualidade feitos independentemente, sobre assuntos brasileiros e para o público brasileiro.
O fim dos anos 60 viu aparecer um novo movimento chamado Cinema Marginal ou Udigrudi (underground), como definiu Glauber Rocha. Os cineastas do Cinema Marginal, como Rogério Sganzerla e Júlio Bressane, fizeram obras irreverentes e anárquicas, de baixos orçamentos e que tinham uma linguagem cinematográfica não-convencional. Em São Paulo, esse movimento ocorreu na chamada Boca do Lixo, Rua do Triunfo, sendo esta um dos maiores núcleos de produção cinematográfica do Brasil e um de seus principais representantes foi o diretor Carlos Reinchenbach. Trocava-se a subversão do Cinema Novo pela transgressão; o lavrador e o operário do Cinema Novo saem de cena para dar lugar a personagens como bandidos, traficantes e prostitutas. Mais tarde surge, também na Boca do Lixo, a pornochanchada, que foi um gênero de filme onde se misturava comédia e, principalmente, erotismo.
Temas memoráveis e diversidade de estilos caracterizaram o cinema brasileiro nos anos 70 e 80. Alguns dos trabalhos mais importantes foram "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976), de Bruno Barreto, "Bye Bye Brasil" (1979), de Carlos Diegues, "Pixote" (1981), de Hector Babenco, e "Memórias do Cárcere" (1984), de Nelson Pereira dos Santos. Nessa época, o governo teve o papel principal na produção, distribuição e exibição dos filmes através da estatal Embrafilme.
De 10 a 14 de janeiro de 1973, ocorre o primeiro Festival do Cinema Brasileiro de Gramado, que teve seu ponto de partida nas mostras apresentadas na Festa das Hortênsias, entre 1969 e 1971. O longa-metragem "Toda Nudez Será Castigada" (1972), de Arnaldo Jabor, ganha como melhor filme no Festival. A partir dos anos 90, o Festival passa a contar com trabalhos de países latinos, além dos brasileiros.
Por causa de crises político-econômicas, a produção nacional ficou praticamente paralisada durante a primeira metade da década de 90, sendo prejudicada também pelo fechamento da Embrafilme. Atualmente o cinema brasileiro está "renascendo" e tentando recuperar o prestígio que dispunha nos tempos da Vera Cruz e da Atlântida, tendo um público bastante tímido ainda mas que já está voltando a acreditar no cinema nacional. As principais obras que contribuíram para o novo crescimento do cinema brasileiro foram "Lamarca" (1994), de Sérgio Rezende, "Carlota Joaquina - A Princesa do Brazil" (1994), de Carla Camurati, e "O Quatrilho" (1995), de Fábio Barreto.