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LIMITE

Brasil - 1931 - Drama - P&B - 120 min - 35mm
Direção: Mário Peixoto
Produção: Mário Peixoto
Roteiro: Mário Peixoto
Direção de fotografia: Edgar Brazil
Montagem: Mário Peixoto
Música: Eric Satie, Claude Debussy, Borodin, Maurice Ravel, Igor Strawinsky, César
Franck e Sergei Prokofiev
Locação: Mangaratiba, RJ
Assistência de direção: Ruy Costa
Câmera: Edgar Brazil
Lançamento: 17 de maio de 1931
Elenco:
Olga Breno (mulher no. 1), Taciana Rei (mulher no. 2), Carmen Santos (prostituta do cais),
Raul Schnoor (homem no. 1), Brutus Pedreira (homem no. 2), Mário Peixoto (homem do cemitério) e Edgar Brazil
(espectador adormecido)
Sinopse:
"Limite" tem um tema, uma situação e três histórias. O tema é a ânsia do
homem pelo infinito, seu clamor e sua derrota. A situação é um barco perdido no oceano
com três náufragos - um homem e duas mulheres. As três histórias são aquelas que os
personagens mutuamente contam. Na situação se esboça o tema que as três histórias
desenvolvem. A tragédia cósmica de "Limite" se passa no barco. E para ele
convergem as histórias.
O filme começa no barco e no barco marca-se o tom de "Limite". Os náufragos estão abatidos, deixaram de remar e parecem conformados com seu destino. Uma das mulheres dá um biscoito ao homem e conta a sua história.
A mulher foge da prisão com a cumplicidade do carcereiro, despreza-o, foge mas não encontra a paz. Tenta trabalhar - costurar - mas a monotonia a esmaga. Com a notícia de sua fuga, ela parte novamente.
O homem reanima a outra moça caída no fundo do barco. Ela também conta a sua história. Um casamento infeliz e desastrado com um pianista bêbado que toca em cinemas. A mulher sente-se esmagada pela monotonia e pela tirania dos laços de seu casamento. Recorda o homem em toda a sua degradação, desespera e foge.
No barco a primeira mulher tenta desesperadamente remar: mãos e remos são inúteis. Os outros dois olham-na, vencidos e conformados. O homem conta a sua história. Ele, viúvo, tem um caso de amor com uma mulher casada. Há alegria e tristeza. Visitando o túmulo de sua esposa, encontra o marido da amante que lhe diz que ela é leprosa. Desespero, angústia, terror - e fuga.
No barco a água acaba. Um barril visto ao longe pode ser a salvação: o homem pula na água e não aparece à tona. Em desespero, a segunda mulher se atira à primeira que a agride. Uma fica prostrada, a outra chora. Desencadeia-se uma tempestade - uma longa seqüência catártica que resolve o filme em termos de tema e ritmo. No mar calmo que retorna está apenas a primeira agarrada a um destroço. Lentamente dissolve-se num mar de luzes.
Obra-prima do cinema mudo brasileiro, sendo uma das poucas contribuições do Brasil para o estilo Avant-garde.